Conflito étnico na Nigéria deixa pelo menos 500 mortos

A Nigéria começou a semana em estado de alerta. Mais de 500 pessoas foram assassinadas durante conflito étnico em Jos, na região centro-leste do país.

O massacre realizado por muçulmanos da etnia fulani, começou na noite de sábado e teve como causa principal a disputa territorial existente entre os fulani, que são muçulmanos e os berom que seguem o cristianismo.

Durante o conflito, casas foram queimadas e enquanto as pessoas tentavam correr para fugir dos incêndios, eram brutalmente mutiladas com uma espécie de foice denominada machete.

Segundo o jornal Correio Braziliense, o jornalista nigeriano Sunny Ofili, declarou que os conflitos pela terra na região de Jos, acontece pelo menos três ou quatro vezes por ano e que os números que estimam 500 vítimas fazem parte de uma estatística “muito conservadora” já que abrange apenas o vilarejo de Dogo na Hauwa.

Há dois meses atrás, 200 muçulmanos foram mortos na região, por isso há suspeita de que o ataque tenha sido motivado por vingança.

Além das mais vítimas fatais, mais de 200 pessoas encontram-se gravemente feridas e são atendidas nos hospitais da região.

Devido a boatos de surtos de violência e saques, o governo reforçou o toque de recolher na região, que havia sido declarado em decorrência de conflito ocorrido em janeiro onde cerca de 300 pessoas morreram. Além disso, o presidente em exercício, Goodluck Jonathan, afastou o Chefe de Segurança Nacional, Sarki Mukhtar, que foi imediatamente substituído pelo General  Aliyu Gusau.

Enquanto as autoridades ainda investigam o caso e até agora prenderam apenas 96 pessoas, O Fórum dos Cristãos do Estado de Plateau divulgou um comunicado acusando o Exército nigeriano de passividade ante o ataque, questionando a falta de intervenção por parte dos soldados.

Em declaração a imprensa, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu calma à população e declarou estar preocupado de que essa tenha sido mais uma violência interreligiosa.

Um dos maiores produtores de petróleo da região, a Nigéria é o maior país negro no mundo, com cerca de 150 milhões de habitantes e possui hoje cerca de 250 grupos étnicos, que trazem em sua origem representações de quase todas as raças nativas da África. A população nigeriana se divide hoje entre cristãos e muçulmanos e possui também uma minoria que segue as religiões tradicionais, como os cultos iorubás.

 

Enquete

A identificação pela cor e/ou raça é um dos critérios que você utiliza na escolha do candidato?