Músico e presidente. Será?

wyclefjeanO ex-integrante da banda Fugees, Wyclef Jean, poderá concorrer à presidência do Haiti em novembro, de acordo como o jornal britânico "Guardian". Segundo informações, a família do músico teria declarado as intenções de Wyclef, que ainda não definiu totalmente sua participação nas eleições. No entanto, conforme informações do site do jornal Folha de S. Paulo, o músico teria revelado em uma entrevista recente que pretendia se envolver nas eleições, mas não necessariamente como candidato.



Jean, que está com 37 nos, nasceu em Porto Príncipe, mas deixou o país ainda criança e cresceu no Brooklyn, em Nova York. Como integrante da banda Fugees, Wyclef era o líder do grupo, além de ser um dos vocalistas e produtor. Faziam também parte da banda a cantora Lauren Hill e o rapper Pras Michel, que também tem origem haitiana.

O Fugees teve início em 94, em New Jersey, nos EUA. Fez muito sucesso com um repertório caracterizado pelo hip hop, com influências da soul music e música caribenha. O grupo emplacou hits como "Killing Me Softly" e “Fu-Gee-La”. O músico foi ativo durante anos em sua fundação Yele Haiti, que foi criticada por irregularidades financeiras após o terremoto em janeiro deste ano.

Se eleito, Jean terá muito trabalho pela frente. O Haiti mesmo antes do terremoto que devastou o país apresentava uma situação caótica. Dados já apontavam que mais da metade da população vivia com menos de 1 dólar por dia e cerca de 78% com menos de 2 dólares.  A taxa de mortalidade infantil era de 60 em cada 1.000 nascimentos.

O país é considerado o mais pobre da América, posição 146 entre 177 países do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com uma nação de 9 milhões de habitantes, que sofrem com a ausência de condições mínimas de sobrevivência.

Segundo relato do rapper MV Bill ao portal G1 o cenário do Haiti já era de tragédia mesmo antes do terremoto. O Rapper visitou o país em março de 2009. Durante uma semana MV Bill pôde acompanhar o trabalho do Exército brasileiro junto à população local e afirma que no país não havia rede de esgotos nem coleta de lixo.

Ainda segundo o rapper, num local chamado Cité de Dieu (Cidade de Deus, em francês), as paredes das casas são marcadas com buracos de tiros e as pessoas fazem as necessidades na rua.

A situação já era tão calamitosa que os soldados enviados na missão de paz da Organização das Nações Unidas chegavam a fazer outros trabalhos como asfaltar ruas, cavar poços em busca de água potável, distribuir alimentos aos necessitados e até acabavam por ceder espaços dentro do quartel para que jovens haitianos pudessem trabalhar e consequentemente ter renda.

Seis meses após o terremoto o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), relatou que quase cinco mil escolas foram afetadas, muitas das quais fechadas após o tremor. Mais da metade dos 49 hospitais nas três regiões atingidas foram destruídos ou seriamente deteriorados.
O governo haitiano estima que cerca de 222 mil pessoas morreram e outras 300 mil foram feridas no dia 12 de janeiro, mas o número de mortes exato não pôde ser confirmado.

Mais de 188 mil casas caíram ou foram danificadas e 105 mil foram completamente destruídas. Por conta das casas destruídas, no momento mais problemático do desastre aproximadamente 2,3 milhões de pessoas foram deslocadas para outras áreas, incluindo 302 mil crianças, e mais de 1.300 assentamentos espontâneos foram identificados. Aproximadamente 1,5 milhão de crianças e jovens abaixo dos 18 anos foram afetados direta ou indiretamente pelo tremor.

O valor total das destruições e perdas causadas pelo terremoto é estimado em 7,8 bilhões de dólares, dos quais 4,3 bilhões representam estragos físicos e 3,5 bilhões, econômicos. Esses valores são equivalentes a mais de 120% do PIB e evidencia o maior impacto econômico causado por um desastre comparado ao rendimento nacional em 35 anos.

 

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